"JAMM Ilha Grande 2007 - Dou a volta ou não volto!"

Booking.com

Expedição circundando a Ilha Grande em caiaques oceânicos modelo mini-mares da antiga KTM.

Fale com Mineiro: gustavo@caiaque.com.br

A VOLTA NA ILHA GRANDE - 1º Dia - Abraão a Santo Antônio

Após um estudo de datas, decidimos que a melhor época para inciar a aventura seria no dia 3 de fevereiro, um sábado. Seria o primeiro dia de lua cheia e num período combinando férias de faculdade (Marcus e Anderson) com folgas conseguidas por Jan e eu (mineiro). Pesquisamos horários de barca e travessia para a Ilha Grande e acertamos que pegaríamos a barca das 22 horas de sexta feira dia 2 em Mangaratiba com destino à Abraão que seria nosso ponto de partida.

As previsões de tempo não podiam ser melhores. Iniciaríamos a volta no sábado, e até terça feira (último dia que a previsão alcançava), as ondas eram inferiores a 1m, não havia nenhum sudoeste entrando na Baía da Ilha Grande. Navegaríamos em águas tranquilas por toda a parte do mar aberto, perfeito!

Chegamos a Mangaratiba com 1 hora de antecedência e nos dirigimos ao cáis de embarque de passageiros. Tiramos os caiaques dos carros e ficamos aguardando a barca que faz a travessia Mangaratiba - Abrãao. Ao ver aquela movimentação com caiaques de 4,30m no cáis, o capitão da barca, sr. Chrisóstomos nos interpelou sobre como prentedíamos levar os caiaques para a Ilha Grande. Perguntou-nos se pretendíamos levá-los na barca. Dissemos que sim e iniciamos uma rápida negociação com ele. Ficou acertado que pagaríamos o equivalente a 3 passagens por caiaque (R$ 4,25 x 3) e mais uma passagem por pessoa totalizando 4 passagens (R$ 17,00) por canoísta + caiaque. Vale ressaltar que tudo isso se deu de maneira respeitosa e cortez, com recibos de todas as passagens compradas, inclusive as dos caiaques.

Devidamente autorizados, acomodamos nossos caiaques na proa da grande barca e partimos como previsto de Mangaratiba na barca das 22 horas, chegando a Abraão por volta da meia noite. Rodamos um pouquinho e conseguimos uma opção barata e confortável para passarmos a noite. Agradecimentos à Dona Elenita (24 3361-5124) que nos fez um preço bem camarada em sua pousada, guardou nosso excesso de malas até a volta 5 dias depois e ainda nos deixou acomodar os caiaques pelos corredores.

1º Dia - Alvorada as 6h30 em Abraão; a intenção era iniciar cedinho, visando cruzar o Farol dos Castelhanos o quanto antes afim de evitar alta de maré e afins. Ledo engano, eram 9h30 quando colocamos de fato os caiaques na água. Praticamente 3 horas arrumando as coisas dentro do caiaque. É muita inexperiência para apenas 4 pessoas hahaha.

Era hora de começar. O dia estava perfeito, praticamente sem nuvens e um belo sol que deixava as cores do mar e do verde nas montanhas bem bonitos. Pedimos a um pessoal que estava na praia para tirar a tradicional foto nossa na partida. E... partimos... havíamos remado incríveis 0,90m (isso mesmo, menos de 1 metro) quando o Marcus naufragou huahauhuaha! Vi poucas vezes na vida uma cena tão engraçada. Uma travessia de 108km, estava para começar e a menos de 1 metro remado já havia um canoísta virando; e o melhor :) ele se apoiava no fundo para tentar desvirar mas não conseguia.

Jan e Anderson não se aguentavam de rir. Por sorte, muita sorte mesmo, eu ainda estava com a câmera em mãos, então o registro fotográfico está aí para todos rirmos juntos =D! Passado esse momento inicial seguimos em frente, um friozinho na barriga e um pouco de ansiedade pela aventura que nos esperava e pelas praias maravilhosas que iríamos passar. Logo a 800 metros da Vila do Abraão fica a Mansão do Morcego. A Mansão do Morcego é um lugar que eu sempre quis ir por ser a primeira casa de alvenaria do Brasil e pertenceu a um pirata espanhol no século XVII. Eu quis passar por lá mas os outros não compartilhavam da idéia, então fiz um pequeno desvio e fui sozinho. A praia é bonita mas é propriedade particular portanto mal se pode ver a casa e apenas pode-se ir na praia. É bonita, interessante, mas eu esperava mais. Segui o caminho e os encontrei logo á frente, do outro lado da Ilha do Morcego onde dizem estar enterrado o corpo do pirata espanhol.

A primeira parada estava prevista para a Praia dos Castelhanos, a aproximadamente 10km da Vila do Abraão. Estávamos nos sentindo muito bem e achamos melhor seguir em frente. Passamos por uma pequena ilha no caminho, e paramos numa casinha pouco depois, já quase na ponta do farol. Estávamos no km 12 do primeiro dia e tudo ia perfeitamente bem. Descansamos um pouco ali, demos uma snorkelada e partimos em direção a praia de Lopes Mendes que seria nosso local de almoço.

Estávamos nesse ponto saindo de águas abrigadas para entrar em mar aberto. A sensação inicial é de apreensão porque as águas se agitam bastante de uma hora para outra. O caiaque torna-se bem instável e oscila muito, levamos tempo para acostumar mas depois fluiu normalmente.

Após uma passagem tranquila e sem sustos pela ponta onde fica o Farol dos Castelhanos, rumamos para a praia de Lopes Mendes. O mar ali estava incrivelmente tranquilo e o dia maravilhoso praticamente sem nuvens. Nesse ponto avistamos um cardume de peixes voadores bem na nossa frente. Passavam 'voando' bem próximo aos caiaques e é incrível a distância que conseguem cobrir fora d'água.

Continuamos remando e passamos entre a pequena ilha de Guriri e a costa da Ilha Grande, chagando em seguida à Praia de Lopes Mendes por volta de 14 horas. Desembarcamos no canto direito da praia, (à esquerda de quem vem pela trilha) no lado mais abrigado e a meu ver, o mais bonito da praia. Lopes Mendes estava com águas tranquilas, praticamente sem ondas ou arrebentação. Fizemos uma paradinha rápida para curtir o visual e a beleza do lugar. Não é a toa que Lopes Mendes é tão aclamada. Renovamos nossas águas na bica de água doce que vem da mata e começamos a preparar o almoço.

Mestre Mineiro na cozinha preparando feijoada (enlatada) e arroz de brócolis. Vale lembrar a máxima dos acampamentos: "se eu lavo não cozinho, se eu cozinho eu não lavo".

Terminada a refeição ficamos por ali na sombra admirando a beleza de Lopes Mendes. Conhecemos um casal + uma mulher que estavam em Abraão e chegaram a Lopes Mendes por trilha. Eles se aproximaram dos caiaques curiosos perguntando de onde viéramos.

Conversamos com eles um tempo e marcamos encontro em Parnaioca para o dia seguinte. Partimos ao entardecer para a praia de Santo Antônio que seria o nosso primeiro acampamento. Em apenas 20 minutinhos de remada paramos à frente da barreira de pedras que cerca a primeira entrada da praia de Santo Antônio. Ficamos alguns segundos ponderando se contornaríamos as pedras ou se passaríamos pelo canal que se forma ali. Eu achei que não precisava contornar e tomei a frente rumando para a praia... Anderson veio ao meu lado, fomos vendo a onda crescendo, crescendo, suuuuuuurrrrrrfffffeeeeeee e chuááááá meu caiaque quis ir prum lado, eu pra outro. Na disputa eu perdi e virei quase na praia já. O caiaque passou por cima da minha cabeça mas por sorte não fui atingido. Foi até bom virar porque estava calor mesmo :p. Pude constatar que o meu compartimento estanque passou no teste de vedação, mantendo secas, todas as minhas coisas.

Paramos em Santo Antônio, tiramos várias fotos nas pedras. Avistamos algumas tartarugas e conhecemos um ilhéu bicho grilo muito gente fina chamado Kamu. Após avaliarmos as condições de clima e devido a presença exclusivamente masculina no local, decidimos não armar barraca nesse dia.

Estendemos o toldo de lona na praia, jogamos os sacos de dormir por cima e dormimos sob a luz do luar (que à partir de uma certa hora já não queríamos mais aquela lua cheia toda na cara).

O primeiro dia da expedição terminou com um saldo muito positivo. Estávamos todos muito animados, conversamos bastante e ali começou a cair a ficha de que teríamos pela frente muitas aventuras em nossos caiaques e visuais fantástiscos para desfrutar.

» Volta na Ilha Grande - 2º Dia

Booking.com

Fale com Mineiro: gustavo@caiaque.com.br